Teoria do Newsmaking
Há quem diga que o jornalismo é o
“espelho real” da sociedade, porém, isso está um tanto quanto longe de ser
realidade. Desde a Acta Diuma, uma publicação oficial do Império Romano, criada
no ano de 59 a.C, durante o governo Imperial de César, as publicações eram
selecionadas a fim de atender o que o Imperador considerava algo noticioso para
sua população, onde as publicações não eram imparciais, ou seja, nunca eram
publicadas notícias
negativas de derrotas do Exército Romano e nem escândalos envolvendo pessoas
públicas e aliados do Imperador.
Nos tempos atuais, o cotidiano
produz um número abundante de fatos, onde os veículos de informação se
assemelham a uma rotina industrial, no qual as informações devem passar por uma
triagem, submetida a uma série de operações e pressões sociais, que fazem parte
do senso comum das redações e do profissional do jornalismo, para que assim
surja a notícia. A partir dessa ideia, surge a perspectiva da Teoria do
Newsmaking.
Esse modelo teórico, cuja
sistematização foi feita por autores como Mauro Wolf e Nelson Tranquina,
abandona a Teoria do Espelho, a qual prega que o jornalismo reflete a
realidade, e dá ênfase ao caráter convencional das notícias, onde as convenções
jornalísticas determinam e definem o que seja notícia.
Essa construção de uma suposta
realidade acontece porque nesse meio de rotina industrial há vários
procedimentos que limitam a construção do jornalista em busca da realidade,
tendo em vista que o mesmo acaba sendo submisso a um planejamento produtivo,
mesmo ele sendo participante ativo na construção da realidade, já que as normas
dentro da organização em que o profissional trabalha teriam mais importância do
que suas preferências pessoais na filtragem das informações.
Para que ocorra a análise das
informações para saber qual irá integrar ou não o fluxo rotineiro de uma
organização, elas são regradas por valores-notícia,
que são os elementos e princípios os quais determinam se tal informação é
merecedora ou não de ser transformada em matéria noticiável. Ressaltando que
esses valores não podem e nem dever ser analisados isoladamente, pois podem
estar interligados a outros importantes acontecimentos.
O Newsmaking, diante da
imprevisibilidade dos acontecimentos, deve avaliar as informações através de
vários critérios, que podem ser substantivos,
os quais dizem respeito à avaliação direta do acontecimento em termos de
importância ou interesse como notícia (morte, notoriedade, relevância, tempo,
algo inesperado, algum conflito), ou contextuais,
que dizem respeito ao contexto da produção da notícia e não às características
do próprio acontecimento (disponibilidade, equilíbrio, visualidade,
concorrência, dia noticioso).
Ambos os critérios estão ligados
a notícias como um acidente, um jogo de futebol,
uma denúncia de corrupção, uma catástrofe natural, um atentado terrorista,
entre outras.
A Teoria do Newsmaking avalia,
portanto, o jornalista como sujeito que constrói a realidade, através de um
processo no qual tudo acontece, e que mesmo tendo como base todos os
conhecimentos universais de seleção que cabe a ele, consequentemente vai
selecionar a notícia de acordo com a seleção pré-determinada pela indústria da
notícia, tendo em vista os critérios de interesse da organização. Assim, as
notícias não refletem a realidade, mas ajudam a construí-la de forma que quanto
mais inédito, notória e impactante na vida das pessoas, maior é a probabilidade
de ser publicada.




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