Teoria do Newsmaking

by - junho 08, 2017


Há quem diga que o jornalismo é o “espelho real” da sociedade, porém, isso está um tanto quanto longe de ser realidade. Desde a Acta Diuma, uma publicação oficial do Império Romano, criada no ano de 59 a.C, durante o governo Imperial de César, as publicações eram selecionadas a fim de atender o que o Imperador considerava algo noticioso para sua população, onde as publicações não eram imparciais, ou seja, nunca eram publicadas notícias negativas de derrotas do Exército Romano e nem escândalos envolvendo pessoas públicas e aliados do Imperador.


Nos tempos atuais, o cotidiano produz um número abundante de fatos, onde os veículos de informação se assemelham a uma rotina industrial, no qual as informações devem passar por uma triagem, submetida a uma série de operações e pressões sociais, que fazem parte do senso comum das redações e do profissional do jornalismo, para que assim surja a notícia. A partir dessa ideia, surge a perspectiva da Teoria do Newsmaking.

Esse modelo teórico, cuja sistematização foi feita por autores como Mauro Wolf e Nelson Tranquina, abandona a Teoria do Espelho, a qual prega que o jornalismo reflete a realidade, e dá ênfase ao caráter convencional das notícias, onde as convenções jornalísticas determinam e definem o que seja notícia. 



Essa construção de uma suposta realidade acontece porque nesse meio de rotina industrial há vários procedimentos que limitam a construção do jornalista em busca da realidade, tendo em vista que o mesmo acaba sendo submisso a um planejamento produtivo, mesmo ele sendo participante ativo na construção da realidade, já que as normas dentro da organização em que o profissional trabalha teriam mais importância do que suas preferências pessoais na filtragem das informações.

Para que ocorra a análise das informações para saber qual irá integrar ou não o fluxo rotineiro de uma organização, elas são regradas por valores-notícia, que são os elementos e princípios os quais determinam se tal informação é merecedora ou não de ser transformada em matéria noticiável. Ressaltando que esses valores não podem e nem dever ser analisados isoladamente, pois podem estar interligados a outros importantes acontecimentos.

O Newsmaking, diante da imprevisibilidade dos acontecimentos, deve avaliar as informações através de vários critérios, que podem ser substantivos, os quais dizem respeito à avaliação direta do acontecimento em termos de importância ou interesse como notícia (morte, notoriedade, relevância, tempo, algo inesperado, algum conflito), ou contextuais, que dizem respeito ao contexto da produção da notícia e não às características do próprio acontecimento (disponibilidade, equilíbrio, visualidade, concorrência, dia noticioso).

Ambos os critérios estão ligados a notícias como um acidente, um jogo de futebol, uma denúncia de corrupção, uma catástrofe natural, um atentado terrorista, entre outras. 


A Teoria do Newsmaking avalia, portanto, o jornalista como sujeito que constrói a realidade, através de um processo no qual tudo acontece, e que mesmo tendo como base todos os conhecimentos universais de seleção que cabe a ele, consequentemente vai selecionar a notícia de acordo com a seleção pré-determinada pela indústria da notícia, tendo em vista os critérios de interesse da organização. Assim, as notícias não refletem a realidade, mas ajudam a construí-la de forma que quanto mais inédito, notória e impactante na vida das pessoas, maior é a probabilidade de ser publicada. 

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