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Um giro nas teorias


Nos anos 50 e 60 surgiu na Inglaterra um projeto para estudar as práticas culturas cotidianas conhecidas atualmente como: Estudos culturais. Ela foi nascida no Center for Contemporany Cultural Studies (CCCS) localizado na Universidade de Birmingham de 1964. Os principais nomes: 

- E. P. Thompson 
- Raymond Williams 
- Richard Hoggart 

Os estudos culturais surgiram como resposta intelectual ao impacto das mídias ao aparecimento das subculturas e das novas formas de culturas popular, que começaram a ter protagonismo pelos meios de comunicação e novas tecnologias. A chamada cultura de massa estendia-se por um imenso espectro social ocupando lugares tradicionais, desafiando separação entre alta cultura e cultura popular. 

 O âmbito dos estudos culturais combina a economia política, a teoria da comunicação, a sociologia, a teoria social, a crítica-literária, o cinema, a antropologia cultura, a filosofia e o estudo dos fenômenos culturais nas diversas sociedades.


Não existem estudos culturais que estudem só a cultura, pois é necessário também saber as realidades sociais concretas dentro das quais existem e a partir das quais se manifestam. Os estudos culturais foram essenciais para a sociedade pois eles investiram diversas questões como a subcultura que resistiram a alguns aspectos a estrutura dominante de poder e os meios de comunicação de massa identidade coletiva discurso, representação, questões de gêneros, raças e as constituições sociais dando total empoderamento para o receptor que cria a sua própria identidade demonstrando a sua cultura. 

A cultura do povo, das ruas, periferia buscam por representação. Por fim podem-se dizer que os estudos culturais nascidos na Inglaterra, hoje atravessam fronteiras tendo sua repercussão internacional e levando seus temas de estudos para diversos países.

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A Teoria do Espelho é a Teoria mais antiga das comunicações, e acredita e defende a ideia de objetividade no jornalismo. Foi inspirada no Positivismo do filósofo francês Auguste Comte, surgiu em meados do Séc. XIX, quando se acreditava que a palavra poderia refletir a realidade, sem mudar os fatos e evitando a subjetividade. Essa corrente vê o jornalista como um comunicador desinteressado, e que conta a verdade sempre, "doa a quem doer". Para o senso comum, é até hoje a concepção dominante no jornalismo ocidental. Ela pressupõe que as notícias são como são porque a realidade assim as determina.
Essa teoria foi a primeira usada, ainda no século XIX, nos testes de compreensão do porquê das notícias serem como são. Sua base é que o Jornalista reflete a realidade, ou seja, elas são o que a realidade determina. A imprensa reflete o cotidiano, um espelho do mundo. E o jornalista é meramente um mediador que tem como única função, contar o fato, sem emitir emoção e/ou opinião, mostrando apenas a verdade dos fatos. Mas é uma teoria fraca por natureza, pois a simples argumentação de que a linguagem é neutra, é impossível, e bastaria para fazer cair essa teoria, porque não há como transmitir significado direto dos acontecimentos. Uma fonte, por exemplo, pode distorcer o acontecido. Sempre que tem um mediador entre o fato e o jornalista, pode haver uma distorção dos fatos.


Existem jornalistas que defendem essa Teoria, dizendo que há dois tipos de espelhos: os planos e os esféricos. Os esféricos dividem-se em côncavo e convexo. Isto significa que em qualquer um deles há distorções do reflexo, tudo irá depender do centro da curvatura, e vamos ter esta ou aquela imagem maior, menor, invertida, virtual, em diversas combinações. E mesmo nos espelhos planos, a imagem aparece invertida: uma pequena combinação de reflexos pode produzir distorções gigantescas. Se as notícias ajudam a construir a própria realidade, o que destrói a existência de um reflexo do real, os jornalistas estruturariam representações do que supõem ser a realidade no interior de suas produtivas e dos limites dos próprios veículos de informação.
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O conceito de agenda setting se baseia em um tipo de efeito social dos meios de informação – dentre os quais podemos citar a televisão, os jornais e as rádios –, que selecionam, em grau de importância, os assuntos que os indivíduos falarão ou discutirão por um determinado período. Hoje, somos submergidos por um mar de informações selecionadas e transmitidas pelas mídias de massa, que são classificadas e separadas pelo seu grau de impacto e importância. 


O processo de agendamento pode ser descrito como um processo interativo. A influência da agenda pública sobre a agenda da mídia é um processo gradual através do qual, em longo prazo, se criam critérios de noticiabilidade, enquanto a influência da agenda da mídia sobre a agenda pública é direta e imediata, principalmente quando envolve questões que o público não tem uma experiência direta. Desta maneira, propõe-se que a problemática do efeito do agendamento seja diferente de acordo com a natureza da questão.

A imposição do agendamento forma-se através de dois vieses:

1. A "tematização proposta pelas mídias de massa, conhecida como ordem do dia, que serão os assuntos propostos pela mídia e que se tornarão objeto das conversas das pessoas, da agenda pública;
2. A hierarquização temática, que são os temas em relevo na agenda da mídia e que estarão também em relevo na agenda pública, assim como os temas sem grande relevância estabelecida pelas mídias de massa terão a mesma correspondência junto ao público.


A agenda da mídia tem maior efeito nas pessoas que participam de conversas sobre questões levantadas pelos meios de comunicação social do que nas pessoas que não participam deste tipo de conversas A sociedade vive em constante influência dos meios de comunicação de massa, esses meios acabam indicando quais os assuntos quem tem maior importância para a sociedade, e assim quais os temas que serão discutidos ao longo dos dias. A agenda de setting foi, e ainda é uma forma de perceber essa influência, como ela se dá e como o indivíduo reage a essa manipulação.

Como não ser influenciado pelas noticias que são veiculadas na TV, jornais, revistas e rádios? Tem como hoje em pleno século 21 o individuo conseguir se manter neutro nesse jogo de informações? Vivemos mergulhados em um mar de informações, e não temos tempo ou paciência para conferir se tudo que é falado é verdade. A única solução que temos é a buscar por novas fontes de informações e um senso critico em relação ao que é falado e transmitido, criando assim sua própria conclusão dos temas comentados ao longo do dia e buscando a melhor forma de se informar e informar as outras pessoas.


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Nascida em contrapartida à teoria tradicional, que visa somente a entender e explicar a sociedade, a Teoria Crítica procura ver a sociedade como um todo, unindo teoria e prática. Em outras palavras, uma nova ciência social interdisciplinar. A expressão, contudo, refere-se ao pensamento de um grupo de intelectuais marxistas não ortodoxos da Escola de Frankfurt, que, a partir dos anos 1920, desenvolveu intervenções e estudos teóricos sobre problemas filosóficos, econômicos, sociais, culturais e estéticos gerados pelo capitalismo de sua época. A finalidade da Escola em geral era fazer uma investigação social sobre a industrialização moderna. Teve seu início marcado com o ensaio-manifesto publicado por Horkheimer em 1937, o intitulado “Teoria Tradicional e Teoria Crítica”.



Apesar de não ser totalmente descritiva, a Teoria Crítica serve para importunar, estimulando uma mudança social. A ideia dos pesquisadores do Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt era que a Teoria Crítica social deveria ser abrangente e direcionada para a totalidade da sociedade. Ou seja, a teoria deve melhorar o nosso entendimento sobre a sociedade, integrando os principais estudos da Ciência Social, como geografia, história, economia, ciência política, antropologia e psicologia.

Com a ideologia de emancipar o conhecimento, a Teoria Crítica busca criar uma sociedade racional e livre, atendendo as necessidades de todos. Com esse sentido que ela se revela como crítica, pois tem como objetivo tornar-se visível a maneira que a sociedade contemporânea capitalista tem o poder de manipular e dominar a economia e a cultura.



Buscando entender as divergentes formas por meio das quais muitos grupos sociais são oprimidos, a Teoria Crítica examina as condições sociais com o objetivo de revelar estruturas ocultas que auxiliam na opressão. Com isso, ela ensina que conhecimento é poder. Isso significa que entender as formas de opressão permite que providências sejam tomadas para muda-las, promovendo, assim, mudanças positivas nas condições que afetam nossa vida.

Os teóricos acreditavam que a mídia influencia na vida da sociedade, ditando a moda e como devemos nos comportar. Desse jeito, a mídia desvenda a natureza industrial das informações contidas em obras como filmes e músicas: temas, símbolos e formatos são obtidos a partir de mecanismos de repetição e produção em massa, que tornam a arte adequada para produção e consumo em larga escala.


Assim, a mídia padroniza a arte como faria a um produto industrial qualquer. Antes arte era arte; hoje, arte é mercado. A indústria cultural não obedece à regra da arte pela arte. A mídia impõe padrões para que a sociedade siga, sem perceber a manipulação. A sociedade pensa que controla, mas, na verdade, é controlada. É o que foi denominado pela indústria cultural, termo criado pela própria mídia. Nesta, o aspecto artístico da obra é perdido. O imaginário popular é reduzido a clichês.

O indivíduo consome os produtos de mídia passivamente. O esforço de refletir e pensar sobre a obra é dispensado: a obra "pensaria" pelo indivíduo. O ser humano segue os padrões e consome até o que não precisa. A Teoria Crítica tem como objetivo discutir e analisar a influência da mídia na sociedade. Para que uma sociedade se transforme, é necessário que se atinja sua parte vital, ou seja, a cultura. Tudo o que somos é a cultura.


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Há quem diga que o jornalismo é o “espelho real” da sociedade, porém, isso está um tanto quanto longe de ser realidade. Desde a Acta Diuma, uma publicação oficial do Império Romano, criada no ano de 59 a.C, durante o governo Imperial de César, as publicações eram selecionadas a fim de atender o que o Imperador considerava algo noticioso para sua população, onde as publicações não eram imparciais, ou seja, nunca eram publicadas notícias negativas de derrotas do Exército Romano e nem escândalos envolvendo pessoas públicas e aliados do Imperador.


Nos tempos atuais, o cotidiano produz um número abundante de fatos, onde os veículos de informação se assemelham a uma rotina industrial, no qual as informações devem passar por uma triagem, submetida a uma série de operações e pressões sociais, que fazem parte do senso comum das redações e do profissional do jornalismo, para que assim surja a notícia. A partir dessa ideia, surge a perspectiva da Teoria do Newsmaking.

Esse modelo teórico, cuja sistematização foi feita por autores como Mauro Wolf e Nelson Tranquina, abandona a Teoria do Espelho, a qual prega que o jornalismo reflete a realidade, e dá ênfase ao caráter convencional das notícias, onde as convenções jornalísticas determinam e definem o que seja notícia. 



Essa construção de uma suposta realidade acontece porque nesse meio de rotina industrial há vários procedimentos que limitam a construção do jornalista em busca da realidade, tendo em vista que o mesmo acaba sendo submisso a um planejamento produtivo, mesmo ele sendo participante ativo na construção da realidade, já que as normas dentro da organização em que o profissional trabalha teriam mais importância do que suas preferências pessoais na filtragem das informações.

Para que ocorra a análise das informações para saber qual irá integrar ou não o fluxo rotineiro de uma organização, elas são regradas por valores-notícia, que são os elementos e princípios os quais determinam se tal informação é merecedora ou não de ser transformada em matéria noticiável. Ressaltando que esses valores não podem e nem dever ser analisados isoladamente, pois podem estar interligados a outros importantes acontecimentos.

O Newsmaking, diante da imprevisibilidade dos acontecimentos, deve avaliar as informações através de vários critérios, que podem ser substantivos, os quais dizem respeito à avaliação direta do acontecimento em termos de importância ou interesse como notícia (morte, notoriedade, relevância, tempo, algo inesperado, algum conflito), ou contextuais, que dizem respeito ao contexto da produção da notícia e não às características do próprio acontecimento (disponibilidade, equilíbrio, visualidade, concorrência, dia noticioso).

Ambos os critérios estão ligados a notícias como um acidente, um jogo de futebol, uma denúncia de corrupção, uma catástrofe natural, um atentado terrorista, entre outras. 


A Teoria do Newsmaking avalia, portanto, o jornalista como sujeito que constrói a realidade, através de um processo no qual tudo acontece, e que mesmo tendo como base todos os conhecimentos universais de seleção que cabe a ele, consequentemente vai selecionar a notícia de acordo com a seleção pré-determinada pela indústria da notícia, tendo em vista os critérios de interesse da organização. Assim, as notícias não refletem a realidade, mas ajudam a construí-la de forma que quanto mais inédito, notória e impactante na vida das pessoas, maior é a probabilidade de ser publicada. 
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